Nosso país nunca esteve tão conectado: segundo publicado na Agência Brasil, 86% dos domicílios têm acesso à internet. O uso de redes sociais no Brasil é recorde desde que a avaliação passou a ser implementada, em 2015.
No entanto, por mais que os brasileiros acessem a internet em ampla maioria, a qualidade e tipo de conteúdo consumido não segue um padrão homogêneo: há grandes diferenças de acordo com a renda das famílias. Neste artigo, vamos analisar como os brasileiros utilizam as redes sociais – e como isso impacta o consumo e a comunicação digital.
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Uso das redes sociais no Brasil de acordo com a demografia
A TIC Domicílios, responsável pela pesquisa de comportamento digital dos brasileiros publicada no final de 2025 e divulgada na Agência Brasil, indica um índice que marca um grande salto do acesso à tecnologia pela população mais pobre, derivados da expansão por cabo ou fibra óptica. Na questão de comportamento online, em 2023 e 2024, foi registrado que o uso de internet pelo brasileiro se deu, principalmente, com o intuito de comunicação: 81% das pessoas realizaram chamadas de vídeo, 92% enviaram mensagens instantâneas e 80% usaram redes sociais. O uso da rede para o pagamento por pix, aparece pela primeira vez e está consolidado, sendo usado por 75% dos entrevistados.
O levantamento inédito sobre uso de inteligência artificial generativa também foi questionado e 32% dos brasileiros já afirmam que usam e, dentro dessa porcentagem, 35% são homens. Algo notável neste campo é o uso por classe: 59% têm ensino superior, 29% completaram o médio e 17% completaram o fundamental. Na questão de renda, 69% enquadra-se na classe A, 52% na B, 32% na C e 16% nas classes D e E.
Outro marcador interessante é a relação com a idade: entre jovens de 16 a 24 anos, 55% declara usar IA, 44% têm entre 25 a 34 anos e 40% entre 10 a 15 anos. Os índices passam a cair entre pessoas com 35 a 44 anos, sendo de 30%. Entre as idades de 45 e 59 anos somente 18% usa IAs, enquanto com maiores de 60 anos a porcentagem é de apenas 6%. 84% das pessoas faz uso de IA para fins pessoais, 53% para pesquisas e trabalhos acadêmicos, 50% mencionam o uso no campo profissional.
Plataformas favoritas dos brasileiros
Além da pesquisa da empresa TIC Domicílios, também foi divulgado o estudo “Digital 2025 Brazil – The Essential Guide to Digital Brands’, que aponta o Instagram como rede social favorita nacionalmente, de acordo com 39,8% dos usuários.
Tratando-se do tempo médio por mês que os usuários ativos passaram nos aplicativos de mídias sociais (Android), a rede aparece em 3º lugar (23h35m), atrás do TikTok (28h34min) e WhatsApp (24h35min). Ou seja: por mais que o TikTok não lidere a preferência no Brasil, ele é o canal onde brasileiros passam mais tempo, superando até o WhatsApp.
O uso de internet para apostas online passou a ser medido neste ano, indicando que 19% dos brasileiros têm esta prática, com predominância masculina (25%). Também foi constatado que a plataforma de governo público gov.br permanece sendo amplamente utilizada, com: “acesso por 56% da população total e divisão, por classe, de 94% para a classe A e queda conforme diminui a renda, sendo 79% para a B, 56% para a C e 35% para D e E. Há também uma disparidade regional importante. A média de uso por região é entre 57 e 60%, mas entre os moradores do nordeste são apenas 48% os que utilizam a plataforma”, conforme a Agência Brasil.
Outro dado relevante é a popularidade do pix: o modelo de pagamento está altamente consolidado, sendo usado por 75% das pessoas.
O que estes dados revelam para marcas?
Fica evidente que mais do que investir na presença digital, marcas devem encarar redes sociais como ecossistemas vitais de consumo. O fato de o Instagram ser a rede favorita (39,8%) e o TikTok liderar o tempo de retenção (mais de 28 horas mensais) revela uma oportunidade de ouro: o investimento em conteúdos nativos que equilibrem desejo e entretenimento.
Além disso, a consolidação do PIX e o surgimento de ferramentas nativas de compras dentro das plataformas eliminam as fricções na jornada do cliente. Para converter audiência massiva, é interessante que empresas de varejo foquem na integração soluções de social commerce, permitindo que o consumidor finalize a compra onde ele já passa a maior parte do dia.
Já empresas B2B, de serviços e soluções ou produtos de ticket alto devem apostar no conteúdo rico, visando educar o consumidor e aumentar sua percepção de valor. O uso crescente de inteligência artificial e a forte digitalização das classes C, D e E indicam que o mercado está amadurecido para interações personalizadas e ágeis. Com isso, além de marcar presença em redes e buscadores digitais, companhias devem se preparar para serem encontradas em ferramentas de IA.
Em suma, o sucesso atual exige uma estratégia que una conteúdo de alto engajamento, presença multicanal e a facilitação tecnológica do pagamento para capturar a atenção do brasileiro.