O funil de vendas tradicional, aquela estrutura linear onde o consumidor “entrava” pelo topo, seguia pelo meio e se convertia no fundo, não é mais suficiente. Hoje, a nova jornada de compra assemelha-se a um emaranhado de interações fluidas, fragmentadas e altamente tecnológicas.
Seja no varejo B2C ou no modelo B2B, de negociações entre empresas, observamos mudanças drásticas. O marketing digital moderno precisa ir além de anúncios: ele deve orquestrar uma experiência em que o cliente é protagonista, com uma nova lógica de consumo marcada pela presença da inteligência artificial como fator de decisão da compra. Veja mais a seguir:
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A jornada linear e o que muda com os “4S”
Como mencionamos, a jornada do cliente é cada vez menos linear: a internet e seus diversos canais e pontos de contato permitem diversas possibilidades para se explorar antes da compra. Por isso, para entender como o marketing digital pode ajudar sua marca, primeiro é preciso compreender a nova dinâmica do consumo.
O modelo clássico deu lugar ao que especialistas chamam de os 4S da jornada: Searching, Scrolling, Streaming e Shopping.
- Searching e Scrolling: é quando o consumidor alterna entre a busca ativa por uma solução (searching) e a descoberta passiva enquanto rola o feed de suas redes sociais (scrolling). Sua marca precisa estar presente em ambos.
- Streaming: conteúdos em vídeo são um grande motor de influência. A jornada de compra pode acontecer enquanto o usuário assiste a um tutorial longo no YouTube ou a um “unboxing” rápido no TikTok.
Shopping: a transação não é mais o fim da linha, mas um evento que pode ocorrer em qualquer ponto. O “social commerce” permite que a compra aconteça dentro do Scrolling ou do Streaming, em diversas plataformas, sem fricção ao mudar de canal.
Inteligência artificial guiando a nova jornada de compra
A IA deixou de ser uma promessa futurista para se tornar uma decisora da jornada de compra. Segundo estudos da Bain & Company, o consumidor moderno não quer apenas navegar; ele quer ser guiado.
O marketing digital agora utiliza a IA para atuar como um assistente pessoal em escala. Isso significa que sua marca pode oferecer:
- Curadoria preditiva: em vez de mostrar mil produtos, a IA analisa o comportamento de cada cliente para mostrar os itens que são considerados mais relevantes.
- Busca por IA: antes, marcas precisavam se posicionar nas primeiras páginas de buscadores para fisgar a atenção do público. Agora, além dos buscadores, páginas de empresas podem ser diretamente recomendadas pela inteligência artificial – isso tem grande influência na escolha do consumidor, que encontra nesta seleção agilidade e praticidade.
- Redução da incerteza: a IA ajuda a comparar especificações técnicas de forma simples, acelerando a decisão de compra. Este é um fator de atenção especialmente em produtos de alto valor (como eletrônicos), serviços e soluções ou em mercados de alta concorrência.
Revolução no B2B: o comprador "digital first"
Um dos maiores impactos ocorre no mercado B2B: o mito de que compras entre empresas dependem exclusivamente do relacionamento entre executivos, com almoços de negócios e visitas presenciais. O novo comprador B2B é digital, exigente e prefere a autonomia.
As empresas que desejam sobreviver precisam adaptar seu marketing para oferecer uma experiência de autoatendimento. Isso não significa eliminar o vendedor, mas transformá-lo. O marketing digital fornece os dados e as ferramentas (como portais de e-commerce B2B, calculadoras de ROI e materiais ricos como e-books e newsletters informativas) preparando o comprador para que ele faça boa parte de sua jornada sozinho. Quando ele finalmente contata o vendedor, já está decidido: assim, ele busca um consultor, não um apresentador de catálogo.
- Último clique: atribui 100% do crédito ao último canal com o qual o cliente interagiu antes de comprar. Simples, mas ignora todo o trabalho de conscientização anterior.
- Primeiro clique: atribui todo o crédito ao primeiro contato. É útil para entender o que gera conscientização inicial.
- Linear: divide o crédito igualmente por todos os pontos de contato no caminho do cliente.
- Baseado em dados (data-driven): usa algoritmos para analisar todos os caminhos de conversão e atribuir crédito de forma ponderada e justa. É o modelo mais preciso, porém mais complexo.
Definir um modelo de atribuição consistente é fundamental para que seus cálculos de ROI sejam confiáveis e comparáveis ao longo do tempo.
Como o marketing digital ajuda sua marca na nova jornada de compra?
Para se adaptar a esse “novo normal”, você pode contar com o marketing digital para focar em três pilares fundamentais:
1. Dados como diferencial competitivo
Uma jornada fragmentada gera um rastro imenso de dados. O marketing digital moderno utiliza ferramentas de Customer Data Platforms para unificar o que as pessoas fazem no site, no app e na loja física. Com uma visão detalhada e precisa do cliente, sua marca para de enviar e-mails genéricos e passa a oferecer soluções contextuais.
2. Shoppable content: conteúdo focado em utilidade e entretenimento
Como a jornada envolve muito streaming e scrolling, seu conteúdo não pode ser puramente publicitário. Ele deve ser útil e agradável de assistir. Vídeos explicativos, lives de compras, blogs, materiais ricos e demonstrações interativas são bons exemplos. Em plataformas onde é possível implementar “tags” de compra, ainda se abre a possibilidade de transformar o entretenimento em receita direta.
3. Hiper-personalização e UX (experiência do usuário)
A IA permite que o marketing digital personalize o site em tempo real para cada visitante. Se um cliente B2B de uma indústria têxtil acessar seu portal, por exemplo, ele deve ver produtos e preços diferentes de um comprador do setor automotivo. A personalização gera confiança, e a confiança é a moeda mais valiosa na nova era digital.
Embora a tecnologia seja o motor, o combustível de tudo é a conexão humana. Soluções tecnológicas e IA devem ser facilitadoras para o público, enquanto fornecem informações para as empresas adaptarem seus materiais de forma cada vez mais personalizada. No entanto, o “toque humano” de empatia, personalidade e atenção no atendimento são os verdadeiros responsáveis pela fidelização e construção de comunidade. Você está pronto para guiar seu cliente nesta nova dinâmica de consumo?